11 May 2014

A maçã

Me destes uma maçã que possuía um vermelho inigualável De tão bela cortei apenas em dois pedaços Seu gesto me pareceu um tanto amável Troquei ela por uma caixa de maços Admirei-a até estripar os olhos Não poderia morder e então engoli por inteiro Envenenada me reduzia a um dos mortos Nem pena eu recebi do sujo coveiro Não desce e apodrece na minha garganta O corpo estava a formigar e a pobre alma queimar A vida que esvaia na aurora não mais encanta Aquela que vivia aqui foi-se embora até dissipar As tuas mãos afáveis que acariciavam agora me sufocam Encontrei em um belo par de sapatos a fuga inesperável Procurei então a paz que todos almejavam Os pés que calejavam sucumbiam o inalcançável Balbuciei as últimas palavras O frio impedia que as pudesse pronunciar Mais do que eternas e amaldiçoadas Tristes e pequenas começaram a amargar

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